Assim que nascemos inicia o ciclo de aprendizados. Os pais ensinam bons modos, como se alimentar, a maneira como se vestir, o certo e o errado. Através da convivência aprendemos a nos expressar através da fala, do choro, da manha e depois de um tempo através das palavras. Os professores te ensinam escrever, ler, entender os colegas de classe, conviver em equipe. No trabalho você aprende a diversidade das pessoas, as formas de pensar e então surge a ambição, a vontade de ser alguém, de conquistar algo.
Já passei por todas essas fases, algumas foram mais fáceis, outras nem tanto, mas todas são necessárias e se não aprende com os pais, professores ou no trabalho, a vida se encarrega de ensinar. E essa é a parte mais difícil, o processo mais dolorido.
Tanta gente passa em nossas vidas, elas podem influenciar de forma positiva, de forma negativa ou até de forma indiferente, mas fizeram parte de um pedacinho da sua história. Mas também existem pessoas que deveriam fazer parte da sua história de maneira obrigatória, pois foram responsáveis por seu nascimento e não fazem. Todo o ciclo de aprendizado, o processo que está formando seu caráter é corrompido e você até tenta suprir esse vazio de alguma forma, em alguém, mas ninguém corresponde ao que você espera, porque esse papel é único e é intransferível.
Então Deus supre todas as carências que possuímos, mas mesmo assim as mudanças não são imediatas e mais uma vez você transfere toda essa responsabilidade para alguém, porque sua fraqueza humana grita e pede socorro.
E hoje eu descubro o mais obvio... Não sei receber amor das pessoas, não consigo acreditar nas pessoas, não demonstro o meu amor às pessoas, simplesmente porque não tive nada disso de uma unica pessoa.
E quando a felicidade finalmente resolve chegar eu acho que não mereço, decido não me apegar, nem me doar porque a qualquer momento ela pode ir embora e mais uma vez me deixar. O medo toma conta porque o mecanismo da situação me lembra que um dia pode acabar, que nada é pra sempre e me impede de viver o que pode ser vivido.
E então percebo que eu sou a unica responsável por sentir isso, eu sou a unica responsável a limitar a felicidade e criar muros pra me proteger, eu sou a unica responsável por não me permitir viver.
Ana Luiza Bandeira





