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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A Saudade tem Nome


Eu tenho sentido muito sua falta... Acho que demorei pra perceber o quanto voce foi e ainda é importante! Crescemos juntos, estudamos no mesmo lugar, tivemos os mesmos professores, moravamos no mesmo bairro, meus amigos eram seus amigos também. Você conhecia cada gesto meu, sabia meu humor diário, respeitava meu temperamento, fazia tudo pra me agradar e me ver feliz. Eu adorava conversar com você, você era meu melhor amigo, meu irmão.

Acho que sempre fui meio intolerante e nem sempre tão amável, mesmo assim você não saia de perto... Me levava em casa sem dar uma palavra quando eu não estava com vontade de conversar, me abraçava sempre que me via, me aconselhava nos relacionamentos. Você foi o primeiro contato com o mundo masculino, minha primeira decepção. Eu era sua amiga, sabia de todos os seus podres, acho que se tivesse me poupado dessa eu não desconfiaria tanto da integridade masculina. Mesmo assim, com todos os defeitos, sempre esteve ao meu lado...

Apesar de tudo tinha um lado tão sensível. Escrevia tão bem e eu admirava ilimitadamente seu dom. Hoje entendo que era mais um desabafo da alma, apos tantos traumas vividos na infância, procurava alguém a quem amar.

Eu não dava muita importância, sabia que você tava por perto, sempre fazia o possível e o impossível pra permanecer por perto, eu confiava em você. Mas deveria desconfiar de mim...

Você casou, logico que ganhei mais uma inimiga, porque meu incrível dom de ser odiada por namoradas de amigos sempre me acompanhou. Me ligou pra dizer que teria uma filhinha e seu nome seria Ana Luiza, nome que com certeza foi alterado no cartório pela mãe. Pelo menos um dia ela conversou comigo e entendeu o verdadeiro significado da nossa amizade.

Com o passar dos anos, o tempo vai diminuindo, as responsabilidades aumentando, pessoas vão surgindo em nossa vida, prioridades são estabelecidas. Mesmo assim, lembro de alguns intervalos em que você passou correndo pra me ver trabalhar e deixar um bom dia. Até que um dia você foi la, como de costume e não me encontrou. Perdi meu celular, com ele seu contato e a unica maneira de ser encontrada por você.

Jã faz tanto tempo, tanto tempo e eu sinto uma falta assustadora de você, do seu abraço, dos seus conselhos sem nexo, na tentativa de me convencer sobre pensamentos masculinos e o efeito da testosterona no cérebro humano. Procurei em todos os lugares, cadastros públicos, telefônicos e nenhuma pista. Você acha que não dei importância, que não quis responder o recado que me deixou quando me procurou. Eu vou te encontrar sim, vou conhecer minha "afilhada".

De qualquer forma, se hoje me perguntam se eu acredito em amizades entre homens e mulheres, eu respondo: É muito diferente que uma amizade entre mulher e mulher, mas não só acredito, como tive um grande amigo, o mais fiel, o mais verdadeiro, o mais sincero, o mais dedicado. E se existe ligação de alma com alguém, posso afirmar, as nossas foram entrelaçadas. Sinto sua falta, uma falta imensa, que não cabe dentro do meu peito e com isso escorre pela face, através dos olhos.

Essa amizade teve um nome, o nome dele era Michel... MICHEL DE ALMEIDA, OU MICHEL ...... DE ALMEIDA, não lembro o nome completo, mesmo assim, nome desconhecido pelas redes socai, internet e até arquivos públicos... Eu não te inventei, você existiu realmente, temos amigos em comum que podem provar, mas talvez as pessoas tenham um papel pra exercer na vida de alguém e depois, misteriosamente, apos cumprir o papel, sei la, passam a ajudar outras pessoas, não sei, penso que você pode ter sido um anjo e peço a Deus me enviar esse anjo novamente e Ele vai me ouvir.
Ana Luiza Bandeira

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